
Em dia de luto, perdemos algumas coisas, mas outras tantas ganhamos.
Pois uma verdade seja dita (mais uma vez): só quando perdemos algo somos capazes de esclarecer o valor que abrigava.
Acostumados a sempre olhar para o lado e julgar. Julgar, julgar, julgar.
Para criticar, para se elevar às custas das falhas alheias. Para se sentir menos estúpido, você rapidamente encontra alguém mais estúpido que você e tão rapidamente esse mesmo alguém torna-se nada mais que uma pessoa estúpida.
Onde se esconderão, neste momento, aquela risada gostosa do amigo que te contagia quando você precisa, aquela sabedoria de elefante do seu pai, quando você não sabe que caminho escolher, aquele olhar penetrante do amado que, incrível como nada mais na vida, espelha a alma de uma pessoa dentro de outra quando você consegue se livrar de todos os seus problemas e defeitos e se enxerga linda no reflexo de outros olhos.
Não passa de um estúpido, só porque você não o é.
Aprendamos a julgar!
O momento certo, a atitude adequada a cada minuto, a julgar quem nós mesmos somos diante desses “monstros” que nos cercam diariamente e que amamos, como amamos a nós mesmos.
Abrir e fechar portas para o destino é o poder que temos.
Esse é o verdadeiro livre arbítrio, a verdadeira liberdade.
Saramago hoje partiu
Mas hoje, no dia de sua partida, são lembradas com fervor pelos que estão acostumados a perceber o vento bater no rosto e levar o tempo embora.
Pois não adiantará olhar para o lado, diante da morte não há competição.
